Quinta-feira, Abril 22, 2004
Às vezes eu penso que nem existe amor. Amor romântico. De novela. Eterno. Aquele do "felizes para sempre". Porque amor é uma coisa individual. E que acaba. Acaba sim. É bem real aquela parada de acabou o encanto. É fato. E as pessoas amam de formas diferentes. É quase impossível existir amor recíproco. E mesmo este, se existe, não é igual. Alguém gosta mais. Ou ousa mais. Talvez os dois se gostem absurdamente muito. Mas um não consiga demonstrar. Ou somente um é capaz de cometer insanidades por esse amor. Isso desequilibra a relação. É por isso que é tão complicado. Amor igual por ambos os lados? Difícil. Raro. Nem sei se existe mesmo.
O que pra mim é mais fácil de aceitar é amor-agora. De momentos. Pequenos instantes. Intensos. Sinceros. Eternizados pela felicidade real. Amor acaba! Até que a morte nos separe? Acho que não. Até que a vida nos separe. O amor que deveria ser invejado por todos não é o casamento de décadas que se mantém por convenções ou medos. É a paixão do começo. Otimista, sonhadora, avassaladora! Pode existir amor duradouro tipo de muitos anos, de uma vida inteira? Pode. Se as pessoas se permitirem se apaixonar várias vezes pela mesma pessoa. E se isso ocorrer naturalmente, continuamente, mutuamente, estamos diante de um amor duradouro. Se isso acontece na prática? Não sei.
Acho que bem na verdade todos esperam que sim. Mas tem que ser aquela pessoa. Que te complementa em tudo. Ultrapassa as suas expectativas. A pessoa que você desejou passar toda a tua vida com ela. Que provavelmente não vai passar, mas que pelo menos você sinta a vontade - e que ela seja suficientemente forte para que exista a tentativa. Sei lá, né? Vai que dá certo... Vai que é a pessoa. Aquela que você sempre esperou. Que vai dividir com você seus momentos mais felizes. Aquela que você vai acordar de madrugada com um beijo só pra dizer eu te amo. Que você vai fazer uma serenata com fogos de artifício no meio da semana. E viajar quilômetros pra fazer uma visita surpresa. Que já sabe o que ela ta pensando sem falar nada. Conhecer os lugares mais lindos com ela. Saber que não interessa o que aconteça, ela vai estar lá pro que você precisar. Quem você confia de verdade. Que você escolheu pra ser o pai dos teus filhos. O amor da tua vida.
Não será tudo um mar de rosas. Haverá briga. Mas por não mais do que cinco minutos. O tempo pra se perceber que era uma futilidade e que você não consegue viver sem ela. Não tem que ser perfeito. Tem que ser feliz. E se acabar? Acabou, ué! Melhor que tenha fim do que nem tenha começo. É preciso arriscar. É preciso viver. Sou é adepta do "que seja eterno enquanto dure".
Sábado, Abril 10, 2004
QUERER É PODER
Querer é poder? Faz-me rir! Poder é poder. Querer é continuar querendo. Existe um vão enorme entre querer algo, poder algo e conseguí-lo. Tem coisas que não dependem de nós. E isso não me agrada - e de fato tenho certeza de que não agrada a ninguém. Mas o que me sufoca é saber que existem coisas que quero, posso e não consigo. Quero algo que posso nunca conseguir devido a fatores externos a mim, barreira de tempo e espaço, por exemplo. Posso querer muito estar em Londres num piscar de olhos, mas isso não me é possível. Há outras coisas que quero e posso: tenho em mãos todos os meios necessários para realizá-lo. Parece-me tortura então não faze-lo por capricho alheio.
Juro que se um dia tiver algum filho não permitirei que o mau conceito de limites interfira na forma como educá-lo. Quem inventou essa porra de impor limites? Daria um tiro na orelha desse idiota agora mesmo! Será que é tão difícil perceber o quão ridícula e cruel é essa medida? Supõe-se que a teoria seja para prepará-los de que a vida é repleta de frustrações. Oh! Que lindo! Que imbecilidade! Não vejo lógica alguma nisso.
Parto do pressuposto de que as pessoas são como eu e não gostam de frustrações. Se a vida é repleta de decepções (como afirma a própria causa que origina a tese) por que - insisto - POR QUE aumentá-las? Desde quando uma decepção pode preparar para outra decepção que não se sabe ao certo qual será e se realmente acontecerá? Não estamos falando de evaporar a água pra chover, pelo amor de deus. Sentimos de maneira diferente as mesmas coisas. E se algo nos gerar sofrimento, não será porque já sofremos antes que não sofreremos desta vez. Custa entender que a vida por si só já nos impõe circunstâncias as quais não temos como controlar? É com essas, concretamente, que devemos nos preocupar e não criar e antecipar sofrimentos desnecessários. Quero muitas coisas que não posso. Posso muitas coisas que não quero. Só espero que em algum dia eu possa sofrer por motivos reais, porque sofrer para não sofrer é a mais tosca tolice.
Abri os olhos. Vi apenas o céu azul. Levantei e percebi que eu continuava nesse mesmo barco. A minha volta, só mar. Nada mais. Sou levada pela correnteza... Sem poder interferir, sem destino certo.
Quem me dera ter controle sobre os mares para ter-me ancorado aos momentos mais felizes. Não tive escolha. Não tenho escolha. Navego em direção ao nada. Perdida. Aflita. Desesperada pulo. Minha respiração acelera: água gelada mais ansiedade. Nado. Nada. Não saio do lugar. Já não tenho força. Meu esforço é em vão. Vão se embora minhas esperanças.
Volto ao meu pequeno barco. Agora me parece mais pequeno do que nunca. Estou presa aqui. Estou só. Só me restam as lembranças. E loucamente lembro de tudo o tempo inteiro. Que é para que as imagens criem vida. Não quero que morram. Não quero que se percam na escuridão. Não quero esquecer os sorrisos. Os olhares. Os gestos. Não quero esquecer os sons. Os sons das risadas, das lágrimas, das palavras de consolo, da rotina, da surpresa.
Se as ondas não fossem tão grandes, se os ventos não fossem tão ferozes, se eu pudesse controlar o meu caminho, eu voltava. Eu não posso. Começa a anoitecer de novo. Estou molhada, com muito frio, estou cansada. Carrego a incerteza de um futuro que já é hoje e a certeza de que queria ter ficado mais um pouco. Deito e fecho os olhos. Espero. Não sei o que. Mas continuo esperando...