Perdidos No Obuscuro Vão Espaço/Tempo Em Indeterminável Lugar Da Eternidade Jazem Meus Inconstantes Pensamentos Envoltos Em Putrefatas Lamentações.

Quinta-feira, Agosto 26, 2004

Tinha um cabelo comprido, mas cortou. Disse que era por causa do calor, que não conseguia dormir, alguma coisa assim. Ninguém acreditou, mas também não fizeram muita questão de saber o motivo real. A gente fez de conta que acreditou e beleza. Parecia outra pessoa. E foi, inclusive, não reconhecido por pessoas próximas, de convivio diário. To falando! Pergunte pra ele! (se você reconhecer ele, né).

Boatos que ele tá igual ao Chico Bento. Será? Deve ser coisa daquela loira. Aquela! Alta, grande e uma coca. Ela inventa cada coisa! É verdade! Ela acha que não sei quem da faculdade dela é igualzinho aquele loirinho daquele seriado de gente rica. Uma vez fez a gente voltar um filme verde e rosa várias vezes, porque achava que os figurantes eram a cara de alguém. Teve uma vez também que ela achou o guitarrista de uma banda igual ao ex de uma amiga nossa. Aquela amiga que faz uns filmes muito legais e tem borboletas mutantes em casa! Mas eu não achei nada parecido. Parecido é o senhor Amor Além da Vida que trabalha na eletrolux!

Mas que eu tava te contando? Aé, daquele meu amigo que gosta de café e cortou o cabelo! Que estuda no mesmo lugar que a minha amiga estabanada de pouco cabelo. To com saudades dele, anda meio sumido... Ta sempre perto de um mocinho de terno, boa pinta, cabelo enroladinho, pai galã. E de um outro com boné laranja, cara de sono e olhos lindos. Ou com um que tem uma moto, meio estúpido, cada olho de uma cor...

Sério que vc não viu ele? Talvez numa rua qualquer brincando com uma bolinha pula pula igual criança. Ou se acidentando de skate por aí. Não vá xingar a mãe dele sem querer, hein?! Que ele pode te ligar de madrugada pra se vingar e você cair da cama. Bom, se você achar ele, diz que eu mandei um beijo bem grande. Pra ele e praquele amigo coreano que tah sempre de preto e que eu adoro.

Danielle Leal, às 20:25
Estorve:

E a única certeza dessa vida é a morte. E todos parecem ignorar isso. Porque querem ser eternos. Porque querem acreditar que fazem alguma diferença no mundo. E para fugir da realidade de serem mortais, de serem uma massa, de serem nada, embriagam-se nessa eternidade ilusória. E incorporam-se nessa qualidade de massa. Fazendo todos as coisas que devem. Preocupados e ocupados demais para perceberem que são mortais. Você vai morrer. Você vai morrer. Você sabe disso. Você precisa fazer de conta que não sabe para conseguir sobreviver. De que valeria a vida sem a morte? Estaríamos livres no tempo e presos no espaço. Somos condenados a morrer e isso nos indigna. Se fossemos condenados a viver, isso nos indignaria. Mas se tivessemos o direito de escolher... conseguiríamos?

Danielle Leal, às 19:54
Estorve:

Quinta-feira, Agosto 19, 2004

Eu ouço gritos de horror e desespero que nunca passaram de sonhos, de um soluço contido e de lágrimas que nunca chegaram a lavar a face. Eu vejo o vazio nas pessoas que buscam todas algo que não sabem o que é. Eu sinto a dor e a incompreensão dos suicidas. Eu sinto o medo e a incerteza dos doentes. Eu sinto a fragilidade e o nervosismo dos que sofrem a solidão. Eu sinto a raiva dos bandidos. Eu sinto a paz dos monges. Eu sinto que estamos chegando ao fim.

Danielle Leal, às 20:51
Estorve:

Segunda-feira, Agosto 09, 2004

Nossa! Eu vi um disco-voador! Foi muito massa, mas eu fiquei com mto medo...

Danielle Leal, às 22:53
Estorve:

   


Danielle Leal. Desagradável. Perfeccionista. Atléticana. Idealista. Depressiva. Chata. Nostalgica. Melancólica. Ansiosa. Estressada. Inteligente. Eufórica. Irritante. Confusa. Elétrica. Sem noção. Socialista. Odeia educação física e jogos de futebol pela TV. Não suporta viajar com a janela aberta. Ama cinema, teatro, dança e filosofia. Vai pra escola exclusivamente para assistir aulas de história. Gosta de geopolítica e religião. Odeia química. É perdidamente apaixonada por livros e discos. Adora descascar mimosas. Não gosta de Mc Donald's. Passa horas dublando programas com a Tv sem som. É fanática por gibis. Não nasceu pra trabalhar, nem para seguir horários. Impaciente. Ama dias bem frios com céu azul e sol. Odeia falar mil vezes a mesma coisa. Adora ser acordada por um telefonema. Odeia ser acordada por um arroto de um de seus irmãos. Tem três cachorros. Adora leite gelado. Desorganizada. Passa mal até com o cheiro de café. Pessimista. Sofre de insônia, enxaqueca, dor nas costas e sincose vaso-vagal. Não sabe jogar damas. Mas joga xadrez. Adora sorvete de flocos. Descobriu que não podia se teletransportar aos oito anos. Não anda de carro sem trancar a porta. E colocar o cinto de segurança. Não dorme sem tomar um nescau antes. Adora vagonite. Gosta de coalhada sem açúcar e sem canela. Aliás, odeia canela. Não recomenda tênis da bibi. Tem um dente postiço. Tem pavor de avião. Odeia tocador de cd sem pilha. Era a She-Ra. Sonho só se for de goiabada. Adora cartas. Odeia pacotes de salgadinho vazios. Dramática. Odeia lombadas. Tempera salada só com vinagre. Não tem nada contra os dias nublados. Odeia fila da cantina. Ainda não conseguiu decorar qual é o lado direito e qual o esquerdo. Conserva o hábito de falar sozinha até hoje. Depois continua - não consegue ficar muito tempo fazendo a mesma coisa.





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a minha querida prima Raquel, por me agüentar durante toda a sua vida hahaha e por ter feito esse blog pra anta aqui que mal consegue ligar o computador. Muitíssimo obrigada!


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