Perdidos No Obuscuro Vão Espaço/Tempo Em Indeterminável Lugar Da Eternidade Jazem Meus Inconstantes Pensamentos Envoltos Em Putrefatas Lamentações.

Terça-feira, Novembro 30, 2004



Oie miguxinhus taih a foteen duma prupagandim keu fix i diskolei um boum kaxe... hj meo dia num tevi nada di mais naum.. bixinhos du meo kolaçaumzim pra vuxes!

Danielle Leal, às 20:29
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FRANGO À PASSARINHO

A Melancia perguntou pro Jamelão se ele chegaria mais tarde pro jantar. Ele disse que não, mas que gostava de chuva de granizo. Melancia ficou contente e no seu trenó foi até o ninho da Dona Baleia Amarelo Ovo.

Chegando lá encontrou uma vaca pintada de ouro, com olhos de diamante e a roubou. Dona Baleia Amarelo Ovo ficou muito, muito furiosa e decidiu matar Jamelão. Pediu ajuda para o Gato do Mato que preparou uma emboscada e uma torrada com manteiga, ele tinha fome no fim da tarde.

Melancia tirava leite condensado de sua vaca de ouro e nem percebeu quando, levando o baldinho pra fazer seu brigadeiro, tropeçou num grilo verde e deu de cabeça numa pedra. O Gato do Mato ria tanto que nem percebeu que não era o Jamelão. Disse a Dona Baleia Amarelo Ovo que o serviço fora executado com sucesso e com muito gosto e que a gratificação que recebera seria doada ao orfanato das Borboletas Cinzas Mancas.

Jamelão, que chegou bem mais tarde naquela noite encontrou Melancia morta no jardim com o baldinho de leite condensado. Não pensou duas vezes: fez um suco.

Danielle Leal, às 00:14
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Segunda-feira, Novembro 29, 2004

PELA ESTRADA A FORA EU VOU BEM SOZINHA...

Quando eu ando na rua eu pareço uma retardada. Isso porque não me agüento e falo sozinha, tenho ataques de riso, discuto comigo mesma cada vez mais alto. Esqueço de olhar antes de atravessar a rua ou coisas do tipo. Só volto a mim quando as pessoas começam a rir nos prédios e nas calçadas ou com aquela buzinada. Não dá. Posso me concentrar, posso me esforçar... não adianta. Se to andando na rua sozinha, to falando, rindo, gesticulando, cantarolando... É um vício. É incontrolável. É como estourar bolhas dos pacotes de embrulhar ou comer amendoin.

Danielle Leal, às 20:48
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Quinta-feira, Novembro 25, 2004

Poucas coisas que tenho nessa vida me orgulham. Mas sem dúvida alguma minha amizade com vc é uma delas. Te amo muito. Obrigada por me agüentar todo esse tempo e por ser essa pessoa única que vc é. Corra atrás das tuas estrelas. Parabéns guria, felicidades! Um grande beijo.

Danielle Leal, às 21:19
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Quarta-feira, Novembro 24, 2004

CONDOR
De mãos dadas com você

Sentei na cadeira de balanço branca e fiquei observando minhas mãos enrugadas, manchadas, que não me deixam esconder a idade. Quando jovem elas eram tão frias que chegavam a doer, sempre tinha que estar de mãos dadas com alguém, acho até que isso irritava as pessoas. Hoje elas são quentes. E enrugadas e manchadas.

A esquerda tem uma mancha. Um professor me dissera nos tempos do colégio que deveria ser o mapa de uma ilha em algum lugar do mundo. Passei a vida inteira me imaginando na tal ilha da minha mão. A cicatriz do dedo indicador foi uma briga que tive com meu irmão caçula, ainda pequena. Eu costumava subir em cima da privada e segurar no gancho da toalha de rosto para poder enxergar o espelho e escovar os dentes. No meio da briga ele me empurrou, bati com cabeça na parede e abri o dedo. Sangrou muito e eu odeio sangue.

Adoro essa pinta na palma da mão. Adoro mesmo. Minha vó dizia que eu seria pianista porque tenho os dedos finos e compridos. Nunca fui pianista. E nunca cheguei a ter as mão enrrugadas. As linhas da mão não mentem. Não tive amores. Pensei até enlouquecer. Morri muito nova. Com as mãos lindas, sem rugas, frias e que nunca foram à ilha da minha mancha.

Danielle Leal, às 22:15
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Quinta-feira, Novembro 18, 2004

- Dé, você sabia que o cinema do água verde tá numa promoção? Esse mês todos os dias é só 3 reais o ingresso.
- Sério? Mas você foi lá?
- Aham! Eu vi a Dona da História... Ai guria é tão lindo!!! Claro que não é o cinemark, né?! Mas também não tem aquele ar condicionado gelado nem o problema com as cadeiras.
- Que problema com as cadeiras, Dani?
- As cadeiras do cinemark têm aquelas curvas. Pra pessoas altas, é perfeito. Mas pra mim é super descorfortável... odeio essas cadeiras ortodônticas!

Sim, eu quis dizer anatômicas. Não, eu ainda não me recuperei do terceirão.

Danielle Leal, às 21:30
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O Tempo perguntou ao Tempo: quanto Tempo o Tempo tem?
O Tempo respondeu ao Tempo que o Tempo tem tanto Tempo quanto Tempo o Tempo tem.

Danielle Leal, às 21:24
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Não gosto das estatísticas e dos discursos repletos de demagogia. Das análises superficiais e da repetição do mesmo esquema fome-guerra-miséria. Os problemas do mundo não mudaram. Nem a forma com que são vistos. Uma vez ou outra, as pessoas lamentam, mas lavam as mãos quando deveriam estendê-las.

A verdade é que hoje você viu no noticiário pessoas mutiladas e estava prestando mais atenção na roupa da repórter. Passou por vários mendigos e não percebeu a presença deles. Viu crianças pedindo esmola no sinal e fechou a janela.

Porque já está acostumado com a situação desumana em que eles vivem. Porque isso já virou uma coisa comum. E as pessoas costumam confundir o que é comum com o que é normal. Não é normal viver daquele jeito. Nem essa insensibilidade, essa indiferença. Poderia ser você.

Eles não são números, não são dados, não são discursos políticos. Eles são o outro lado do sistema que você construiu. Elas são as crianças que te olham e te chamam de mãe ao mínimo gesto de carinho, porque você é mais mãe pra elas do que aquela mulher que bate nelas e cheira todo o dinheiro que daria pra comprar comida.

Eles são frutos da ilegalidade, da exclusão e do seu preconceito. Vivem da maneira que dá, não da que convém. A política social abandonada, os movimentos voluntários mortos, Bush reeleito. Aquele bêbado na calçada que você não viu, acabou de morrer.

Danielle Leal, às 21:06
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Sábado, Novembro 13, 2004

A SETE PALMOS

Tinha uma obsessão por morte. Gostava de ir a enterros de desconhecidos e pegar nos cadáveres. Aos 9 anos sofreu um acidente de trem e foi o único sobrevivente. Foi encontrando brincando com os corpos dos pais como se fossem bonecos. Nunca o viram chorando.

Aos 13 planejou com detalhes seu próprio funeral. Aos 16 fez seu primeiro testamento. Esperava a morte a qualquer instante e se divertia com isso. Acabou sendo jornalista só pra escrever obituários. Mas passava a maior parte do seu tempo no Instituto Médico Legal, sempre usava a mesma justificativa: ¿posso conhecer um deles...¿

O ponto alto da sua vida foi quando uma ex-namorada suicidou-se. Ele adorou. Fez questão de dar a notícia a todos e cuidar da preparação do corpo da moça. Esperou o seu dia, todo dia, o tempo todo. Não que quisesse morrer, apenas estava ansioso por esse momento que tanto lhe fascinava. Sonhava em morrer de forma trágica, aparecer em todos os jornais, ser comentário por uns três dias. Mas quanto mais desejava, menos parecia aproximar-se do fim.

Nunca ficou doente. Nem mesmo um resfriadinho. Nunca se cortava, nunca se machucava. Tinha uma saúde invejável. Mas sentia-se com dor e desconforto. Coisa que nunca existiu. Tinha certeza que esta com doenças terminais, e fazia exames semanalmente, que insistiam em dizer que ele estava muito bem.

Passou a vida inteira esperando a morte. E por ter certeza que ela chegaria muito em breve, não se casou, não teve filhos, nunca viajou, nem fazia planos para o futuro. Viveu mais de cem anos de pura agonia esperando por algo que não chegava nunca. Viu todos os seus amigos morrerem um a um. Era como se nada o ligasse mais a sua vida. Cercado de pessoas que não conheciam o seu passado, com as quais não tinha nenhuma ligação, foi sentindo-se cada vez mais deslocado desse mundo.

Não sentiria saudades de nada. Não deixaria nada pra trás. Estava pronto, como durante toda sua existência, para morrer. Não se soube como isso aconteceu. Nada morte trágica, ou enterro como ele queria. Ele simplesmente desapareceu. O velhinho de tanto e poucos anos, sumiu sem deixar vestígios. Pra sempre. Uns dizem que ele ainda vive, que nunca irá morrer. Que seu desejo o condenou a infelicidade e o imortalizou.

Danielle Leal, às 19:19
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Terça-feira, Novembro 09, 2004

Odeio terças-feiras.

Danielle Leal, às 18:36
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Domingo, Novembro 07, 2004

DEAD BODYS EVERYWHERE

Come on, step inside, and you'll realize.

Tell me what you need, tell me what to be.
What's your vision?
You'll see, what do you expect of me?
I cant live that lie.

Hey!
I'm seeing my worth
I'm fucked at dealing
with your life
dead bodies everywhere.

You!
Really want me to be a good son. Why?
You make me feel like no one.

Let me strip the pain,
let me not give in.
Free me of your life,
inside my heart dies.
Your dreams, never I'll achieve,
don't lay that shit on me.
Let me live my... life.

Hey!
I'm seeing my worth
I'm fucked at dealing,
with your life
dead bodies everywhere.

You!
Really want me to be a good son. Why?
You make me feel like no one.

You want me to be,
something I can never ever be!

I'm seeing my worth
I'm fucked at dealing,
with your life
dead bodies everywhere.

You!
Really want me to be a good son. Why?
You make me feel like no one.

Dead bodies everywhere!

Danielle Leal, às 21:20
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S.O.S

Eu sinto que não vou conseguir suportar mais. Preciso ir embora daqui.

Danielle Leal, às 21:07
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NÃO ENTENDI

Você liga convidando e a pessoa te responde: como vc não me convidou? e fica de cara e corta relações ao invés de simplesmente aceitar ou recusar o convite. Não entendi. Ninguém entendeu. Mescla de cu doce com mundo gire ao meu redor.

Danielle Leal, às 14:56
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"Los nadies: los hijos de nadie, los dueños de nada.
Los nadies: los ningunos, los ninguneados, corriendo la liebre, muriendo la vida, jodidos, rejodidos:
Que non son, aunque sean.
Que no hablan idiomas, sino dialectos.
Que no profesan religiones, sino supersticiones.
Que no hacen arte, sino artesanía.
Que no practican cultura, sino folklore.
Que no son seres humanos, sino recursos humanos.
Que no tienem cara, sino brazos.
Que no tienem nombre, sino número.
Que no figuram en la história universal, sino en la crónica roja de la prensa local.
Los nadies, que cuestan menos que la bala que los mata".

Eduardo Galeano

Danielle Leal, às 14:40
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Danielle Leal. Desagradável. Perfeccionista. Atléticana. Idealista. Depressiva. Chata. Nostalgica. Melancólica. Ansiosa. Estressada. Inteligente. Eufórica. Irritante. Confusa. Elétrica. Sem noção. Socialista. Odeia educação física e jogos de futebol pela TV. Não suporta viajar com a janela aberta. Ama cinema, teatro, dança e filosofia. Vai pra escola exclusivamente para assistir aulas de história. Gosta de geopolítica e religião. Odeia química. É perdidamente apaixonada por livros e discos. Adora descascar mimosas. Não gosta de Mc Donald's. Passa horas dublando programas com a Tv sem som. É fanática por gibis. Não nasceu pra trabalhar, nem para seguir horários. Impaciente. Ama dias bem frios com céu azul e sol. Odeia falar mil vezes a mesma coisa. Adora ser acordada por um telefonema. Odeia ser acordada por um arroto de um de seus irmãos. Tem três cachorros. Adora leite gelado. Desorganizada. Passa mal até com o cheiro de café. Pessimista. Sofre de insônia, enxaqueca, dor nas costas e sincose vaso-vagal. Não sabe jogar damas. Mas joga xadrez. Adora sorvete de flocos. Descobriu que não podia se teletransportar aos oito anos. Não anda de carro sem trancar a porta. E colocar o cinto de segurança. Não dorme sem tomar um nescau antes. Adora vagonite. Gosta de coalhada sem açúcar e sem canela. Aliás, odeia canela. Não recomenda tênis da bibi. Tem um dente postiço. Tem pavor de avião. Odeia tocador de cd sem pilha. Era a She-Ra. Sonho só se for de goiabada. Adora cartas. Odeia pacotes de salgadinho vazios. Dramática. Odeia lombadas. Tempera salada só com vinagre. Não tem nada contra os dias nublados. Odeia fila da cantina. Ainda não conseguiu decorar qual é o lado direito e qual o esquerdo. Conserva o hábito de falar sozinha até hoje. Depois continua - não consegue ficar muito tempo fazendo a mesma coisa.





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Obrigado pela preferência. Volte sempre.

Agradecimento:
a minha querida prima Raquel, por me agüentar durante toda a sua vida hahaha e por ter feito esse blog pra anta aqui que mal consegue ligar o computador. Muitíssimo obrigada!


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