Terça-feira, Abril 26, 2005
Todas as pessoas quando me conhecem me odeiam. Depois elas me amam. Ou me odeiam pra sempre. Eu prefiro, de qualquer forma, achar que vão me amar um dia...
Pois bem. Segundo dia. Trouxe trocentas coisas pra fazer. Cadernos e folhas e livros e objetos que ocupam espaço. Tomei conta dessa mesa aqui que tem um computador que não liga e sobram 43 centímetros pra mim. Espalhei tudo que podia. E ataquei todas as canetas marca-textos e borrachichas e esse lápis aqui. To ignorando a presença alheia. Eles são invisíveis pra mim. Aham, não falarei com ninguém. Vou parecer super ocupada e concentrada e tão feliz que eles vão se contorcer de inveja e um dia... um dia vão implorar minha amizade.
Porque agora é uma questão de honra. Eu to aqui. Incomodo, logo existo.
Segunda-feira, Abril 25, 2005
SOZINHA E INVISÍVEL
Peço um café puro para ver se acordo. O sono só não é maior que o tédio. A ansiedade vai me consumindo cada vez mais e começo a ter tiques nervosos de mexer no cabelo sem parar, abrir e fechar a mão e mover o pé direito em círculos no sentido horário.
Já decorei cada detalhe dessa sala. Quero fugir. Me sinto presa. Sozinha. Invisível. Ignorada. Não me olham e quando o fazem é muito com aquela cara de "pirralha inútil". E eu sou uma pirralha inútil. Queria alguém agora para conversar coisas idiotas e chorar lamentos dos dias ruins que ando tendo. Não há ninguém aqui. Sozinha. Ansiosa.
Minha felicidade está localizada nesse pequeno pedacinho de papel, no qual desabafo com essa letra miúda. Ele está acabando, isso me deixa nervosa. Não sei que horas são, quero ir embora. Algo na minha garganta me sufoca e meus gestos agitados são encobertos pela minha invisibilidade.
Quinta-feira, Abril 14, 2005
TRABALHANDO, EU? NÃO SEI NÃO....
Fiz a tal prova. Sobrevivi. Mas puta merda hein, sofri demais. Comparando ao vestibular eu diria que é muito pior. Vestibular o texto tá ali na tua cara, você precisa saber se aquilo é falso ou não, ou escolher a opção certa. Se não sabe, chuta. Agora, quando colocam um processo gigante na tua frente, não tem o que fazer. Primeiro você quer chorar, depois jogá-lo pela janela. Eu fiquei pensando em botar fogo em tudo aquilo, fazer uma fogueirinha num lual em Zimbros. Daí percebi que o tempo tava passando, que eu tinha escrito sete palavras e voltei a querer chorar. Nesse momento o juiz deve estar se divertindo com as trocentas besteiras que devo ter escrito.
Definitivamente a primeira hora foi assustadora. Eu olhava em volta e via aquele lugar sem chance de sair correndo e deslizando como no meu antigo e único estágio. O silêncio absoluto. E o pior: eu com essa roupinha social e escovinha no cabelo. Eu só queria fugir. Que lugar horrendo. Mas aí a moça-legal-e-adulta-que-me-aplicou-o-teste disse pra eu ir na cozinha se eu quisesse que tinha água, café e bolachinha. Que lugar maravilhoso. Minha alegria só foi completa quando eu descobri: tem messenger lá. Aham, eu nasci pra esse emprego.
Não sei quando sai o resultado. Espero que demore um tempão, pra eu aproveitar meus últimos dias de soneca após almoço. Meus dias de folga e felicidade estão contados. Que triste. Mas meus dias de rica estão chegando. Palavra da salvação. Glória a Deus.
Terça-feira, Abril 12, 2005
PARECE, MAS NÃO É UM SHOPPING
Todos os dias, na hora do almoço, a PUC é invadida pelos alunos do Medianeira. Eu odeio eles, quero que morram. É muito simples identificá-los: eles usam uniforme. As meninas ainda usam o moleton amarrado na cintura. De qualquer forma eles andam em sempre em bandos e falam alto, muito alto, muito mesmo.
A praça de alimentação fica infectada com todas aquelas crianças xexelentas que me lembram os amigos dos meus irmãos. Ser obrigada a viver no mesmo mundo que eles não me traz nenhum contragosto. Problema é aturá-los todos os dias na faculdade. Eles não estudam lá. Eles se aproveitam da nossa praça de alimentação e isso sim: me irrita.
Todos os dias me controlo para não gritar histéricamente para que comam na cantina do próprio colégio. Sempre me contive. O máximo do meu descontrole foi quando um dia, já inconformada com todos aqueles adolescentes espalhafatosos, pedi para que mudassem de lugar, porque além de tudo o ÚNICO lugar vago era no MEIO da mesa.
-Você estuda no medianeira, né?! - falei ao piá uniformizado. Eu estudo aqui e quero almoçar, então sente naquele lugar para eu possa sentar aqui na ponta e fingir que vocês não existem. Isso! (pausa) E falem mais baixo também, que essa gritaria toda tá me estressando, eu tenho dor de cabeça e eu REALMENTE quero fingir que vocês não existem. Agora sim, brigada.
E almocei em paz. Mas juro que ainda chega o dia em que eu arrancos os olhos de um por um com as unhas.
ps: aham... acabei de ler o blog do vidal... mas mc donalds é um lugar público, não esqueçam disso.
Sexta-feira, Abril 08, 2005
VINGAR OU NÃO? EIS A QUESTÃO...
Tão dizendo por aí que ela fez de propósito. Que foi vingança. Aposto que ela vai dizer pra sempre um "não imagina, nada a ve". Impossível saber quais foram suas intenções. E isso pouco importa. Está feito. A amizade já foi abalada. Ela comeu o último sonho de goiabada. Aquele mesmo. Que ele guardou pra depois do jantar. Ela podia ter comido o de doce de leite. Mas pegou o de goiabada. Ele vai odiá-la pra sempre.
No jardim de infância robou um pirulito dela. De embalagem rosa e roxa, de estralinhos. Desde então ela vai pegando as coisas... o cd que ele ganhou da namorada, o relógio de parede... Tudo bem, ele deixava passar por amor. Ou burrice. Mas hoje é diferente. O último sonho de goiabada. Não tem perdão.
Matou-a envenenada. Umas gotinhas do frasquinho verde na coca-cola light e pronto. Não precisa mais se preocupar com suas coisas nunca mais. Foi até a panificadora e comprou um sonho. De creme.