Domingo, Julho 24, 2005
CHAMADO
Eu ouço meu telefone tocando. Meu nome. Não sei o que querem, mas eles estão de volta.
Eu não to bem, mas eu sei disso. Eu sei do meu cansaço, do meu desânimo, dessa dor de estômago, dessa vontade de chorar em vão como se todas as minhas lágrimas tivessem secado. Danielle. Eu sei dessa angustia que vai me sufocando cada vez mais.
Da minha sociopatia querendo que todos desapareçam. Dessa prisão em mim mesma. Vontade de gritar, de voar, de dormir pra sempre. Vontade de respirar em paz novamente de fazer o tempo parar, de voltar pros instantes felizes da minha vida. Danielle. Sinto como se estivesse me perdendo de novo.
Confusa, estranha, desconhecida. Minielle. Tudo vai ficar bem, quero a paciência e a serenidade dos anjos, quero expulsar minhas fraquezas, meus fracassos, meus medos, meus demônios. Quero que calem a boca e me deixem sozinha. Eu sempre acabo sentindo saudades e voltando. Eu sempre acabo voltando. Eles também.
Sábado, Julho 23, 2005
PRATO PREFERIDO
Convidou-a para jantar. Preparou um strogonoff, seu prato preferido. Conversaram a noite toda, entusiasmados. Ela contou da possível promoção para um cargo de maior prestígio, do roteiro de viagem que vinha planejando e do seu projeto cultural de incentivo a uma exposição de fotografia antiga.
Ele falou da família, de um documentário sobre a guerra que vira naquela semana e a qualquer oportunidade elogiava a moça. Já tarde da noite ele tirou uma das rosas do arrajanjo de mesa e entregou-lhe com cuidado. Enquanto ela sorria, pegou um garfo e enfiou no seu estômago. Ela tentou fugir e arranhá-lo mas as garfadas eram rápidas demais. Antingiram-lhe o pescoço, o rosto e então ele a estrangulou com uma das mãos.
Passou o resto da semana queimando pedaços do corpo no forno da cozinha, visitando exposições de fotografia e comendo strogonoff. No final de semana um novo convite. Preparou peixe assado, seu prato preferido.
Sexta-feira, Julho 15, 2005
ENGAVETANDO
Overdose de textos. Eu fico muito tempo sem postar e daí faço dessas. As pessoas devem odiar, mas todos sabem que eu sou instável. E tchau... estou de férias, enfim. Estarei fora até o dia 25. Pensando em como vai ser minha vida daqui pra frente. Minha vida sem ela. Porque as coisas vão e voltam. E nunca são iguais. E é isso que faz com que tudo valha a pena. Não é um adeus. É uma viagem.
Meus ombros estão queimando. E o meu peito estufa-se como se fosse explodir. Olho pra trás e lá estão elas. Reais. Duas asas. Minhas. Dobro os joelhos e num impulso eu subo. Vou rápido, alto, o vento gelado faz meu rosto doer. Começo a gargalhar, não paro nunca mais. Estou tão feliz. Leve. Tranqüila. Livre. Plenamente livre e feliz.
E não queria mais nada. Meu maior e único desejo estava realizado. E eu então me sinto vazia. Num piscar de olhos as asas desaparecem. Eu vou despencando em alta velocidade pra morte. E eu não me importo. Tanto faz pra mim. Não morro nem feliz nem triste. Eu to sabendo que a liberdade estava presa em mim por causa dos meus sonh
Oi amor. Preciso te contar uma coisa. Acabei de te trair. Não fiz por mal. Não vou dizer que tava bêbada, eu não tava. Também não vou dizer que foi coisa do momento, seria mentira. Eu quis. Quis mesmo. Gostei. Não fiz por mal. Eu espero que você entenda. Não tem muito o que explicar, não é mesmo?! Não fique triste, por favor. Assim que você chegar em casa e ouvir esse recado, me liga, tá?! Beijão.
Sinto muito sono após o almoço. Como se meu corpo fosse derreter aos poucos até acabar. Meus olhos pesam e é inútil tentar mantê-los abertos. Sensação ruim, de desgaste, de desespero. Uma angústia esse sono após o almoço. Estou presa no meu corpo leve e nos meus olhos pesados.
Hoje pela manhã matei uma menina. Fui acender o cigarro e não a vi. Meu carro esmagou a bicicleta e a cabeça dela. Eu não consegui chorar. Não costumo ter reações no momento, só muitas horas depois. Poderia estar chorando agora, mas só estou com sono. Eu sinto muito sono após o almoço. Minha cabeça dói até. Acho que vou vomitar. Preciso dormir.
Quinta-feira, Julho 07, 2005
Tomei yakult e tem gosto de suco de laranja de caixa.
Tenho um amigo que vive com meio coração.
Coleciono garrafas de bebidas e reprovações no teste prático do detran.
Está muito frio, os dedos doem pra digitar.
Ainda não sei o que quero fazer da vida.