Terça-feira, Agosto 30, 2005
to com desidratação, acho que vou morrer
Segunda-feira, Agosto 22, 2005
O gosto de rato morto na minha boca, os olhos inchados, os pulsos cortados me fazem lembrar que a noite passada não foi perfeita. Que quanto mais água eu jogo pra afundar ressentimentos, mais eles boiam, mas perto chegam. Chega. Quis de alguma forma acabar com eles, todos de uma vez. Não pude. Chorei. Muito e muito e eles lá, vivos em mim como vermes a me comer a carne. Tudo gira e eu só queria voltar atrás, apagar uma coisinha ou outra, consertar aquilo, fazer tudo diferente. Aprendi. Sofri. Não entendi. Meus pulsos estão enfaixados como troféu maior dos meus fracassos. Essa camisa de força não me prende mais do que a saudade que infla em minha garganta. Tiraram o ar do quarto, ou fui eu que parei de respirar? Não sei mais. Mordi o rabo do ratinho. O gosto não ficou pior. Apenas diferente.
Pela primeira vez eu me senti feliz de estar aqui. Vi nos olhos daquela menina uma esperança. Vi na sua paciência uma utopia massacrada pelas frustações do tempo. E ainda assim, no brilho dos seus olhos o reflexo em mim das suas ideologias perdidas . Me vi da mesma forma, me conformando com a realidade. E os meus olhos brilharam lagrimosos, ao saber que permanecerá em mim o objetivo sonhado e independente de realização ou não, me manterá viva. Eu acordei e estava em mim.
Domingo, Agosto 07, 2005
Vestia um casaquinho de veludo verde com bolas brancas e uma saia de prega rosa pink. As fivelinhas no cabelo loiro tentavam evitar os fios que insistiam em cair sobre os olhos azuis, lindamente maquiados. Carregava uns cartazes e uma bolsinha de mão.
Virou num beco escuro e o encontrou mais adiante sentado num caixote tocando uma gaitinha de boca. Entregou os cartazes com cuidado e lhe passou algumas instruções. Nada poderia dar errado. Ele tirou do bolso da calça marrom desbotada uma carta e pediu para que se encontrassem na ponte, ao anoitecer. Despediram-se com um beijo.
Ele foi pego panfletando pela polícia logo depois. Levado a um campo distante e espancado até a morte.
Ela, saindo do beco, andou algumas quadras até a confeitaria. Pediu um capuccino e um croissant. Entre um gole e outro, desenhava num bloquinho.Subitamente tirou da bolsa um revólver e matou o senhor da mesa ao lado com um tiro certeiro entre os olhos. Saiu tranqüilamente e fugiu no carro que lhe aguardava na esquina.
Esperou na ponte até de madrugada. Ele não viera. Abriu a carta massada que dizia planos de casar ter filhos assim que completassem a missão e fugissem do país. Pela primeira vez na vida, chorou. Por muito pouco tempo. Limpou o rosto, retocou o batom e foi embora. Nunca mais lembrou disso.
Sábado, Agosto 06, 2005
MINHA SEMANA - Melhores momentos
A ADRI ME LIGOU. Fiquei pulando tanto que torci o pé. Chorei de saudades. Estou muito, muito, muito feliz!
EU AMO MEU TRABALHO. Se bem que o tempo fica meio paralisado quando eu to lá. Beleza, nem tudo é perfeito.
FINALMENTE consegui dormir como um anjo.
FAZ UNS DIAS que a monique fez um texto muito bom, www.balelada.blogspot.com , acho que ela devia escrever mais...
FUI DE ONIBUS, a noite, até a vila oficina. Aham é muito longe, mas ele foi junto comigo. Foi como se tivesse sentido o mesmo que eu... Tive uma pira que o cabelo dele é igual duma guria da novela que é casada com aquele que gosta da débora secco. Tive uma revelação, que mudou a minha vida, um dia eu conto. Piá, te amo demais. Embora eu ache que vc sempre soube disso, não custa te lembrar.
DORMI na casa de uma loca que amo muito e que me deixa calma. Ela mandou eu continuar em Direito de uma forma tão segura, que foi como se a convicção dela fosse suficiente pra mim. Me abriu os olhos, me encheu de respostas e devolveu muito da minha alegria. Brigada. Por tudo.
A GI E A RE, presentes e fundamentais na minha vida.
TERÇA no john bull os poucos segundos que pude dançar em paz.
BAR todo dia, depois da aula. Durante também hahaha.
Quarta-feira, Agosto 03, 2005
Ele diz que não caiu a ficha, mas é da boca pra fora. A verdade é que ele sabe que não vive sem ela. Não suportou ficar lá mais nem um segundo e saiu. Andou algumas quadras até a ferinha da Ucrânia, comprou um pastel e não pensou mais nisso. Resolveu voltar pra casa mas não queria. O que queria não podia ter, sabia disso. Sofria toda vez que tinha que disfarçar. O pastel esfriou. Não comeu, não jogou fora, ficou segurando aquele pastel engordurado. Pelo menos o pastel era dele, todo dele, só dele. Tava ali, não ia embora, não tinha ficha pra cair, nem saudades pra chorar. Estava atravessando a rua, mas desistiu. Esperou o biarticulado com um sorriso triste no rosto. O corpo sem vida jogado no chão. A alma aliviada. O pastel, intacto a metros de distância.
Terça-feira, Agosto 02, 2005
O PROFESSOR DE TEOLOGIA PERGUNTA
O que é o homem? Qual a sua aspiração suprema?
Não sei. E seria até ridículo de minha parte supor possível tal resposta. Não tenho a pretensão de descobrir ao certo, mas sinto a necessidade de buscar um porquê que justifique ou explique minha existência. Aos 18 anos de idade ainda não cheguei nem perto do que a mim pareceria inquestionável. Temo que os anos não sejam parâmetros para encontrar a solução e que eu nunca a encontre. Ao mesmo tempo, às vezes creio eu que o que mantém o homem como ser vivo, agente de transformações, é a busca de algo.
Muitos responderiam: a felicidade. Eu me pergunto: por que? E poderia alguém explicar o que é a felicidade senão através das suas experiências, do seu meio, dos seus gostos? E não somos diferentes um do outro? Felicidade de um pode ser a desgraça do outro... Ficamos então como pedaços de madeira numa correnteza, perdidos, guiados por algo que foge do nosso controle. Algo que desconhecemos. A felicidade é um conceito abstrato, amplo, incerto, mutável. Definitivamente não está no dinheiro. Pesquisas demonstram que saciadas necesidades básicas de alimentação, vestuário, moradia, etc, a quantidade de riqueza em nada interfere, em nada acrescenta no que chamarei de índice de felicidade. Esse primeiro fator já nos faz perceber a tortura do sistema em que vivemos onde a felicidade está ligada à idéia de sucesso profissional e esta à aquisição de riquezas. Que belo sistema vivemos. Capitalismo que dá a todos oportunidades. Oportunidade de serem miseráveis de morrerem de fome, de frio, de descuido, de abandono, de doenças de cura fácil. A desigualdade é absoluta. E invisível aos olhos dos que passam. Onde está a compaixão, a soliedariedade? Eu vejo indiferença em toda parte. Eu vejo pessoas infelizes projetando sua vida na compra de coisas que não são necessárias para que se viva. Para que se viva feliz e realizado.
Posso não saber o que deixa as pessoas verdadeiramente felizes. Mas sei o que não as deixa. E é essa voracidade de competições, de egoísmo, de individualidade, de indiferença e exclusão. Só vejo as pessoas ocupadas e preocupadas demais, presas numa rotina sem sentido e de aspirações fúteis, sem tempo para perceberem que estão vivas. Vejo uma massa morta, pessoas fazendo o que acham que devem fazer, fechadas para tentar entender o que fazem aqui de verdade: o que são e o que buscam.
Não sei o que sou, não sei o que busco. Fico contente de estar procurando essas respostas e espero procurá-las até o fim de meus dias e que não fique embriagada por esse sistema de injustiças, desigualdades, crueldades. Mas isso não me é suficiente.
Agora sinto vontade de chorar. De gritar. De desaparecer. Sinto tanta dor e sofrimento, tantas frustrações que me percebo mutilando meus próprios sonhos, meus ideais. Me sinto perdida e sem forças. Buscando algo que não sei o que é, nem como conseguir. Felicidade? Não sei. De acordo com a Matemática todos os conjuntos têm o vazio. Eu sinto que os homens têm esse vazio. Eu temo que estejam tentando preencher de forma errada. O vazio continua. Pode ser que nunca encontrem o que é realmente que buscamos. Talvez isso nem exista. Talvez o homem esteja aqui para buscar algo, incessantemente. Como as estrelas, que podemos nunca alcançar, mas que estão lá, nos servindo de orientação...
- que é pra fazer mesmo?
- um texto sobre deus e os mulçumanos, essas coisas que o professor tava falando.
- fodeu então.
- entrega isso mesmo, é teologia.
- é, né...
Fico imaginando quão surtada eu tava, porque eu entreguei mesmo. Agora lendo não vejo coerência alguma em nada. Foi só uma pira de alguém cheia de revolta, confusa demais, frases e lembranças sem sentido vindo todas juntas como um pedido de socorro e um atestado de "perdi toda a noção".
Atente-se à temática dada em aula porque não saberei se você compreendeu o que foi apresentado, ele respondeu. E só. Devia ter mandado me internar naquela época. Teria me poupado maiores bizarrices.
Segunda-feira, Agosto 01, 2005
Faz um ano hoje. Parece que faz mais. Parece uma eternidade. Parece que foi ontem. Parece que foi agora a tarde.
Fim de uma fase confusa, linda, especial. Cheia de mágoas, cheia de sorrisos. Fim.
Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece.
Eu acho que a gente guarda. Bem escondido, na memória e na alma.