Quinta-feira, Outubro 27, 2005
LARANJAS
Estão propondo o fim das chapas laranjas. Mas porque? Nada é mais divertido do que as propostas absurdas, os comentários engraçadíssimos, a falta de noção de ridículo desses candidatos. Eu adoro.
A chapa laranja nunca vai se assumir como tal. Até porque faz parte da sua essência alegar extrema seriedade na campanha non-sense. Basta, então, que se veja o lado útil disso. Mais do que um lugar ocupado na mesa de debate, é preciso perceber que as perguntas feitas aos laranjas em relação ao adversário resultam num enorme tempo de discussão e, ainda melhor, sem a interferência e a resposta daquele que está sendo acusado.
Além do mais, a enorme quantidade de chapas, pelo motivo que for, apenas indica que está sendo exercido nosso direito de democracia. Se bem usado ou não, problema da consciência de cada um. Acima de tudo, a chapa laranja além de ser o divertimento dos debates, é uma forma de protesto.
Domingo, Outubro 23, 2005
Somos uma massa de zumbis que acordam todo dia esperando o dia terminar.
Um mês sem cafeína mudou a minha vida. Tudo que eu queria era uma coca-cola bem gelada.
Não consigo mais dormir embora meu corpo resuma-se em dores e suplique por algum descanso.
Faz uns nove meses que eu PRECISO comer um algodão doce peloamordedeus.
Sexta-feira, Outubro 14, 2005
ACORDAR CINCO MINUTOS DEPOIS
Minha olheira profunda indica duas coisas: que eu não dormi direito essa noite e que tudo está me irritando muito fácil. Eu to com sono e de mau humor. Eu bati o carro. Na verdade, bateram em mim, que isso fique bem claro.
Peguei um ônibus até o trabalho e quase morri. Porque ta quente demais. Gritei com o cara idiota que bateu no meu carro, gritei com o motorista do ônibus porque fechou a porta em cima de mim, gritei com aquele estagiário imbecil porque eu to com raiva e gosto de descontar nele.
Tenho uma pilha enorme de documentos pra assinar, mas não vou fazer isso agora. Não quero, to com sono e de mau humor. Vou ficar aqui sentada na minha mesa linda, vou fumar um cigarro a cada 20 minutos e vou gritar com o estagiário imbecil sempre que estiver com vontade. Amo meu trabalho.
À noite vou comer uma salada porque eu to gorda e uma panela de brigadeiro porque eu to depressiva. Vou esperar o telefone tocar em vão porque ninguém vai ligar, ninguém lembra que eu existo. Vou ficar mais depressiva. Vou fingir que estou vendo um filme, mas na verdade não estou lendo as legendas, não estou prestando atenção.
Vou pegar no sono. Acordar cinco minutos depois. Levantar, me olhar no espelho. Reclamar que estou gorda e com rugas e a que a raiz do meu cabelo já cresceu de novo e que eu tinha que ter nascido loira. Vou pegar no sono.
Acordar cinco minutos depois. Lembrar que estou sem carro, xingar aquele idiota que dirige igual a cara dele, levantar e ler um livro. A mesma página mil vezes, porque não vou estar prestando atenção. Vou pegar no sono. Acordar cinco minutos depois. E isso vai se repetir até o amanhecer. Que é a pior hora do dia, quando todo mundo pode ver que eu tenho olheiras profundas.
Domingo, Outubro 09, 2005
A água roxa vai sumindo no ralo e nela se misturam minhas lágrimas. Choro por motivo nenhum. Por não ter escolha. Simplesmente é assim. Choro por ter te perdido, por ter, de novo, insistido em tentar te convencer de que tudo pode voltar a ser como era.
Mas você me odeia um pouco. Pra mim é mais do que suficiente. Cansei de insistir, cansei de te esperar, cansei de tentar te entender, desisto. Seja feita a tua vontade.
Eu choro porque eu lembro. Porque eu não consigo esquecer. Brilho eterno de uma mente sem lembrança. Eu te amo. Ainda. Eu te amo. Apesar de tudo. Eu te amo. Por motivo nenhum. Por não ter escolha. Simplesmente é assim. Eu vou te deixar ir embora, sumindo. A cor escorrendo pelo ralo, as minhas lágrimas, a minha saudade.
Sábado, Outubro 01, 2005
Eu sentei do lado de fora da janela e fiquei olhando o chão lá embaixo, imaginando se eu teria mesmo uma alma. Pensei que se não tivesse, não haveria nenhum problema. Mas como não tinha certeza, fiquei com medo. Fiquei com medo de que não me faria esquecer. Achei que se fosse pra lembrar seria melhor de um jeito que eu pudesse chorar. Não chorei, voltei e andei por muito em qualquer direção. Eu tive medo que não fosse suficiente.