Domingo, Novembro 27, 2005

- OMELETE, QUER?

Ele me pergunta porque eu estou chorando. Provavelmente é porque acha exagero, não é. Ou é. Eu sou assim, tudo na minha vida é exagerado e intenso. Não procuro mudar isso, não é um defeito. Não é essa a questão.

Não sei se porque me apego muito as coisas, aos outros. Não sei se porque todas as pessoas que eu gosto acabam indo embora. Acho que os dois. Acho que porque ele foi muito especial na minha vida. Vai continuar sendo, óbvio. Mas sentirei falta de conviver mesmo, de saber que vai estar sempre aqui.

Ele é alto, muito alto, mas se destaca por outro motivo. É pela simplicidade com que vê a vida. É pela coragem que enfrenta os problemas, a persistência. É pela alegria absurda que faz todo mundo sorrir o tempo todo. É a certeza que ele possui nas menores coisas, e os sonhos maravilhados nas demais. E ao mesmo tempo a dificuldade imensa em optar entre uma bolachinha ou um amendoim. O jeito dele sofrer quieto, sem falar nada. Irritado, de cara, contrariado. Na dele. E de como ele volta a si (não sei ainda se escondendo ou superando o que tava sentindo, mas tudo de uma forma rápida e pouco perceptível), a sorrir e a fazer comentários tão sinceros e inconvenientes que assustam qualquer um. Ele consegue te deixar sem graça, com vergonha, com vontade de matá-lo. Ele faz de propósito, ele tem prazer em azucrinar todo mundo e criar situações embaraçosas. Adoro isso.

O motivo, na verdade, não existe, não tem explicação. Eu vou sentir saudades. Dele me ensinando os passos, me ensinado que o trabalho dignifica o homem, que às vezes é melhor não falar nada, que você deve superar tuas limitações, que tudo pode valer a pena, que o dia dura quantas horas você quiser que ele dure. Dele dizendo que a loira me apavora. Dele tirando com meu sotaque. De quando ele improvisa alguma coisa bem sem noção e não tá nem aí, como a pomba. Eu vou sentir saudades. E sim, eu choro por isso. Exagerada né, eu sei. Mas ele marcou na vida de muitas pessoas aqui, várias vão chorar ainda.

"Meu"... Ele é um artista, não existe outra palavra pra descrevê-lo. Um artista completo. Sensível, impulsivo, cativante, atento, expansivo, criatividade borbulhante. Como querer que ele fique, se ele prova constantemente que o mundo inteiro é pouco pra ele. Vá pela sombra. E que Deus te acompanhe. Espero que ele saiba que eu o amo, e que pode contar comigo sempre que precisar. Sorte passar alguém assim na nossa vida, né? Por tão pouco tempo, mas que parece tanto. "Que gostoso" isso, que sorte mesmo. Ele é meu presentinho.

Danielle Leal, às 11:55

eu esculacho:

Segunda-feira, Novembro 21, 2005

Ele me beijou de olhos abertos. Como se quisesse lembrar de cada detalhe, de cada linha do meu rosto pra sempre. Depois ficou em silêncio, passando a mão nos meus cabelos e disfarçando o sorriso. Porque sabia que nada mais seria a mesma coisa, que quando eu entrasse naquela porta, ele me perderia. Não disse nenhuma palavra. Me abraçou forte, por muito tempo. Parti. Essa foi a última lembrança que eu tenho dele.

Eu tinha planos de voltar, mas a vida acabou me afastando de tudo, você sabe como as coisas são, ah... eu não voltei. E foi tarde demais. Li aquele e-mail frio me comunicando do enterro que tinha sido na semana anterior. Eu, do outro lado do mundo, chorei. Chorei por não ter ficado mais um dia, chorei por não ter dito eu te amo enquanto tinha tempo, chorei por ter abandonado meu amor por medo. Eu sempre soube que ele me amava, apenas foi o momento errado. Ele não poderia ter me dito isso antes? Teria tudo sido tão diferente. Ele tinha que ter falado. Ele sabia que eu gostava dele. Eu não podia desistir da viagem ali, na porta de embarque, ouvindo a última chamada. Eu devia ter desistido. Mas tinha tanta coisa envolvida, e quando se é jovem você sempre acha que tudo na vida vai dá tempo. Eu sinto um arrependimento que ninguém pode entender.

Eu não penso em outra coisa. Eu tento me concentrar naquilo que eu tenho que fazer, mas eu não consigo, eu não consigo, eu tento sim, mas eu só penso nisso. Porque eu tinha que ter feito alguma coisa aquela hora e eu ignorei. Eu nem consegui dizer que eu amava ele. Eu fui. E eu ia voltar, ia mesmo, mas você sabe como são as coisas, eu fui deixando pra depois, sempre pra depois. Se ele tivesse falado antes, eu não teria ido, eu não sei, eu não teria ido. Eu dei um tchau da janela, um tchau tão normal, tão sem emoção, mas só porque eu tava com sono, eu realmente amava ele...

- Nosso tempo hoje já deu. Eu vou aumentar a dose em 20mg diários. Até semana que vem.

Danielle Leal, às 23:44

eu esculacho:

Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Eu espirrei e ouvi duas vezes, a primeira prolongada, a segunda não. Ou era o eco do meu próprio espirro ou era alguém tirando comigo. O salão é tão grande e tão branco que eu tenho a sensação de que o teto está cada vez mais próximo e que vai me prensar no chão a qualquer momento. Costumava patinar aqui quando criança. Eu não era feliz e sabia. Não era o eco. O eco era a prolongação do primeiro espirro, o segundo era alguém tirando comigo. Procuro, procuro e não há ninguém que eu posso ver. Permaneço horas ali, sentada no branco como nada, como centro principal da fotografia. Aos poucos tudo vai se centrando em mim mesma e fazendo sentido. A minha solidão, meu medo, minhas esperanças girando como as luzes, refletindo só serenidade. Foi o que me sobrou. Não quis estar em nenhum outro lugar, e em nenhum outro momento que não aquele mesmo e ali. Um, dois, dezealgo espirros. O vento gelado espalha minha felicidade perdida e eu choro.

Danielle Leal, às 22:18

eu esculacho:

Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Ah, eu não me importo. Cansei dos conceitos de certo e errado. Esqueci que eu vivo em sociedade, que as pessoas estão olhando e que elas vão lembrar amanhã. Eu não vou. Foda-se. Minha vida é detestável, mas acho a sua igualmente repugnante. Me distraio entre as coisas bonitinhas e felizes só por passatempo, meu forte sempre foi me arrastar entre horas de solidão, silêncio e profundo ódio por achar que estou num labirinto quando na verdade eu estou numa bolinha de gude. A minha felicidade é diferente da tua. O meu mundo do seu. De preferência faça de conta que o que eu faço é natural. Se não conseguir, entre as fofocas e julgamentos, tente se lembrar de que era o que vc queria ter feito. Ou então, que vc vai morrer tanto quanto eu e que, sinceramente, não faz diferença.

Danielle Leal, às 22:37

eu esculacho:

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

É NATAL É NATAL LÁLÁLÁLÁLÁ

A cidade sorriso, capital ecológica, capital social etc etc, se já não foi chamada capital do natal, certamente ainda será. Pelo menos o governo insiste em propagandas do tipo Natal Luz.

Não sei se porque quando criança eu era burra, mas a impressão que eu tenho é que a cidade era bem mais iluminada. Mas não é sobre isso que eu quero falar.

O que me irrita profundamente são os enfeites de natal MUITO antes do tempo.. faz mais ou menos uns 20 dias quando vi o primeiro na mateus leme. Ou seja, começo de outrubro e as pessoas já gastando luz.

Eu não gosto de Natal, todo mundo sabe disse. Não gosto de damasco também e nem do "espírito natalino" que aflora nas pessoas, que distribuem sorrisos e abraços nessa época de festa e confraternização. Vamos todos comprar uma arma e nos abraçar comendo peru e tomando champagne. Que coisa mais linda.

O natal me soa falso, essa que é a verdade. Me irrita as decorações com neve (aqui não tem neve, notem). Me irrita pensar na família reunida. Me irrita saber que vai ter damasco encostando nas nozes e castanhas. Me irrita meia duzia de luzinha nas janelas e a propaganda de natal luz. Odeio natal, e esse ano não será diferente.

Danielle Leal, às 14:42

eu esculacho:

   

Danielle Leal. Um dia ela vai se irritar com você também. Não é que não goste de viver, é que ainda não descobriu o motivo. Escreve por passatempo, por desabafo, pra espantar os próprios medos e pecados. Não é louca, opinões contrárias não valem. Um pouco depressiva, um pouco suicida, um pouco pessimista. Extremamente exagerada, dramática e impulsiva. Vive mais no passado que no presente, não acredita no futuro. Desorganizada. Dança como se ninguém estivesse olhando. É alergica a cafeína. Sofre de insônia, enxaqueca, gastrite, dores nas costas e sincose vaso-vagal, mas vai sobreviver. O suficiente pra infernizar a tua vida. Magra de ruim, vive fazendo dietas forçadas. Não sabe o que quer da vida, não se preocupa mais com isso. Não se preocupa mais com que os outros pensam dela ou das suas atitudes escrotas e inconsequentes. Odeia canela. Ansiosa. Passa horas com a tv no mute dublando os programas. Comunista. Apaixonada por discos, livros, filmes, lojinhas do centro e filosofia. Escreve cartas quase como um vício. Não nasceu pra cumprir horários, nem pra trabalhar. Abraça todo mundo o tempo todo. Reprova frequentemente no detran. Gosta de dias frios, com sol e céu azul. Irritante, confusa, esquentadinha, preguiçosa. Não come azeitona. Não anda de carro sem cinto de segurança e portas travadas. Pinta o cabelo compulsivamente. Antisocial, porém simpática. Neurótica. Não sabe mentir. Sensível demais. Egoísta, mas não mais que você. Instável. Fala sozinha. Cheia de manias. Cheia de segredos. Depois continua, nunca termina o que começa.





RECORDAR É VIVER:
Agosto 03
Setembro 03
Outubro 03
Novembro 03
Dezembro 03
Janeiro 04
Fevereiro 04
Março 04
Abril 04
Maio 04
Junho 04
Julho 04
Agosto 04
Setembro 04
Outubro 04
Novembro 04
Dezembro 04
Janeiro 05
Fevereiro 05
Março 05
Abril 05
Maio 05
Junho 05
Julho 05



Obrigado pela preferência. Volte sempre.

Agradecimento:
a minha querida prima Raquel, por me agüentar durante toda a sua vida hahaha e por ter feito esse blog pra anta aqui que mal consegue ligar o computador. Muitíssimo obrigada!


Links:
Blogs
Charlotte foi pra europa
BaLeLaS

Fotologs
Over Limits
Gurias e Elbis nos eua
Karen
Lipe Bera
Manu
Lari
Rafa
Minero
Mari Guetter
Mari Kruger
Mel
Le
Gabi Xu
Fleg
Malu
Amanda
Mila
Ana Follador
Golds

Sites
Post Secret

Clique na coisa abaixo:

Imperdível:





    Powered by Blogger