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Domingo, Novembro 27, 2005
- OMELETE, QUER?
Segunda-feira, Novembro 21, 2005
Ele me beijou de olhos abertos. Como se quisesse lembrar de cada detalhe, de cada linha do meu rosto pra sempre. Depois ficou em silêncio, passando a mão nos meus cabelos e disfarçando o sorriso. Porque sabia que nada mais seria a mesma coisa, que quando eu entrasse naquela porta, ele me perderia. Não disse nenhuma palavra. Me abraçou forte, por muito tempo. Parti. Essa foi a última lembrança que eu tenho dele.
Quarta-feira, Novembro 16, 2005
Eu espirrei e ouvi duas vezes, a primeira prolongada, a segunda não. Ou era o eco do meu próprio espirro ou era alguém tirando comigo. O salão é tão grande e tão branco que eu tenho a sensação de que o teto está cada vez mais próximo e que vai me prensar no chão a qualquer momento. Costumava patinar aqui quando criança. Eu não era feliz e sabia. Não era o eco. O eco era a prolongação do primeiro espirro, o segundo era alguém tirando comigo. Procuro, procuro e não há ninguém que eu posso ver. Permaneço horas ali, sentada no branco como nada, como centro principal da fotografia. Aos poucos tudo vai se centrando em mim mesma e fazendo sentido. A minha solidão, meu medo, minhas esperanças girando como as luzes, refletindo só serenidade. Foi o que me sobrou. Não quis estar em nenhum outro lugar, e em nenhum outro momento que não aquele mesmo e ali. Um, dois, dezealgo espirros. O vento gelado espalha minha felicidade perdida e eu choro.
Segunda-feira, Novembro 07, 2005
Ah, eu não me importo. Cansei dos conceitos de certo e errado. Esqueci que eu vivo em sociedade, que as pessoas estão olhando e que elas vão lembrar amanhã. Eu não vou. Foda-se. Minha vida é detestável, mas acho a sua igualmente repugnante. Me distraio entre as coisas bonitinhas e felizes só por passatempo, meu forte sempre foi me arrastar entre horas de solidão, silêncio e profundo ódio por achar que estou num labirinto quando na verdade eu estou numa bolinha de gude. A minha felicidade é diferente da tua. O meu mundo do seu. De preferência faça de conta que o que eu faço é natural. Se não conseguir, entre as fofocas e julgamentos, tente se lembrar de que era o que vc queria ter feito. Ou então, que vc vai morrer tanto quanto eu e que, sinceramente, não faz diferença.
Quinta-feira, Novembro 03, 2005
É NATAL É NATAL LÁLÁLÁLÁLÁ
| Danielle Leal. Um dia ela vai se irritar com você também. Não é que não goste de viver, é que ainda não descobriu o motivo. Escreve por passatempo, por desabafo, pra espantar os próprios medos e pecados. Não é louca, opinões contrárias não valem. Um pouco depressiva, um pouco suicida, um pouco pessimista. Extremamente exagerada, dramática e impulsiva. Vive mais no passado que no presente, não acredita no futuro. Desorganizada. Dança como se ninguém estivesse olhando. É alergica a cafeína. Sofre de insônia, enxaqueca, gastrite, dores nas costas e sincose vaso-vagal, mas vai sobreviver. O suficiente pra infernizar a tua vida. Magra de ruim, vive fazendo dietas forçadas. Não sabe o que quer da vida, não se preocupa mais com isso. Não se preocupa mais com que os outros pensam dela ou das suas atitudes escrotas e inconsequentes. Odeia canela. Ansiosa. Passa horas com a tv no mute dublando os programas. Comunista. Apaixonada por discos, livros, filmes, lojinhas do centro e filosofia. Escreve cartas quase como um vício. Não nasceu pra cumprir horários, nem pra trabalhar. Abraça todo mundo o tempo todo. Reprova frequentemente no detran. Gosta de dias frios, com sol e céu azul. Irritante, confusa, esquentadinha, preguiçosa. Não come azeitona. Não anda de carro sem cinto de segurança e portas travadas. Pinta o cabelo compulsivamente. Antisocial, porém simpática. Neurótica. Não sabe mentir. Sensível demais. Egoísta, mas não mais que você. Instável. Fala sozinha. Cheia de manias. Cheia de segredos. Depois continua, nunca termina o que começa.
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