Quarta-feira, Dezembro 28, 2005

A vida inteira quando meus pais faziam alguma coisa que envolvesse a frase: é pro seu bem, eu já sabia que eu ia me foder e odiá-los muito e culpá-los pra sempre. E sempre foi assim. E eu tinha que ouvir a frase: um dia você vai entender, quando tiver filhos. E assim, eu os odiava ainda mais.

Eu continuo os odiando pelas coisas que eles fizeram sob esses argumentos. E fui muito prejudicada, e eles não tinham esse direito, e a vida é minha, e eu não acho que eles tão certos, nem vou achar. Mas hoje eu penso o quanto eles podem ter sofrido pra tomar uma decisão assim. E eu admito que, em algumas vezes, eles tinham razão.

Você me perguntou se eu tenho problemas. Claro que sim, você me conhece bem o suficiente pra saber que eu tenho muitos problemas, todo mundo tem problemas. Você me perguntou se eu to mal, se eu to carente. Eu to bem, eu to feliz, eu estou muito melhor do que sempre. Eu finalmente decidi continuar a faculdade, eu tenho um estágio de prestígio no qual os problemas são suportáveis e eu aprendo muito, meu pai tem me apoiado bastante, ele é meu melhor amigo, estou me dando muito bem com os meus irmãos, não brigo mais com a minha mãe, administro meu dinheiro e minha vida. Eu sinto falta das minhas amigas sim, mas olha só, eu vivo bem sem elas. Eu posso ser bem feliz sem elas. Porque a minha vida não se resume a isso. Eu tenho feito muitas coisas que todo mundo quer, mas sempre diz que não tem tempo. Eu to muito bem. Aliás, dá até pra perceber, o Chico comentou isso, que eu mudei.

Quanto a você eu realmente não sei. Você sabe que eu não sei. Não porque eu não queira saber, mas porque você nunca mais me contou. Porque, como você mesmo disse, eu não ando mais com você. Eu nem te vejo mais, não é mesmo? Mas isso não significa que eu não me preocupe mais com você.

Eu fiz o que ninguém tem coragem de fazer. Se eu não fizesse, ninguém faria. Porque óbvio que você vai odiar a pessoa pra sempre, e culpá-la por tudo de ruim que acontecer. Eu também faria isso e eu já esperava. E ninguém ia querer te perder, mas como você mesmo disse, eu já nem ando mais com você, eu não sei da tua vida, eu já tinha me afastado. Eu era a pessoa mais indicada. E embora muitos tenham me falado que eu fiz o certo, que eu fiz o que deveria ter feito mesmo, eu não sei.

Eu não sei se foi certo, se foi errado. Eu não vou te dizer que foi pro seu próprio bem e que um dia talvez você entenda. Eu não tenho a pretensão de fazer sempre a coisa certa, eu não sou perfeita. O que é o certo? Acho que todos aqui vão pelo caminho da tentativa e erro. Porque eu fiz isso? Porque alguém tinha que fazer, um dia. Porque eu não consegui pensar em outra coisa pra fazer. Ah sim, claro, eu podia falar com você. Mas a gente sabe que isso não ia adiantar. O que eu fiz, vai adiantar? Infelizmente, eu acho que não. Mas pelo menos eu tentei. Eu fiz alguma coisa. Eu fiz alguma coisa. E eu sabia que teria conseqüências. Foi provavelmente a decisão mais difícil que eu tomei, num impulso, como tudo que faço. Pode me odiar, pra sempre. Eu já esperava por isso.

Eu não to feliz com essa situação, muito pelo contrário, eu to sofrendo muito. Eu não espero sua compreensão nem seu perdão. Pode me odiar mesmo. Eu faria isso, eu me odiaria profunda e eternamente. Mas nem sempre quem passa a mão na nossa cabeça é quem está fazendo mais por nós. Acho que isso é tudo, adeus.

Danielle Leal, às 15:41

eu esculacho:

Quarta-feira, Dezembro 21, 2005

A mocinha se distrai e grita. Não é que ela seja escandalosa, na verdade ela até que é um pouco, mas isso não é ruim não. Combina com ela. Em algumas pessoas pode parecer forçado e irritante, nela não porque ela é meiga e querida e deixa todo mundo alegre. Mas a questão é que ela gritou. Não, não foi num show, ou num lugar aberto nem nada, foi num restaurante chique e japonês.

Todos os olhares de censura focaram pra mesa da garota. Se fosse um seriado de ficção vocês veriam raios coloridos de ódio e desprezo saindo dos olhos das pessoas. Algumas gritaram coisas do tipo cala boca ou puta merda ou que mal educada. Teve um casal escroto que simplesmente mudou de lugar.

É, os incomodados que se retirem mesmo, já dizia o ditado. Enquanto tudo isso acontecia, a mocinha do grito permanecia abaixada e vermelha como nunca. Seus amigos, todos, sem exceção, continuaram imóveis, rindo. Rindo, rindo muito, aquele riso inesquecível com as mãos no rosto tentando conter. Igual criança que insiste em ter ataque de bobeira no trabalho dos pais, na missa ou num velório.

E foi assim. Riram como crianças que sabem que estão fazendo coisa errada mas não podem se controlar. Foi tudo natural, espontâneo e tão feliz. Absolutamente surreal. Para a noite das pessoas educadas o fato foi um vexame que perturbou o jantar delas. Praqueles que não ligam pras etiquetas sociais foi uma cena única, divertidíssima.

De qualquer forma, a mocinha gritou. Deixou claro em muito alto e bom som que não tem modos. Que não tem pudores. Que é feliz. Morra de inveja.

Danielle Leal, às 14:58

eu esculacho:

Quinta-feira, Dezembro 15, 2005

Tudo aqui é tão bonito e iluminado, mal lembro daquilo que me aflige. Espero meu chocolate quente, mas vai demorar, cheguei junto com a moça, ela ainda tem que arrumar tudo. Não tem problema, não estou com pressa. Pego um papel e uma caneta e começo a escrever o que me vem à cabeça. Ela ligou o rádio.

Não gostei, de repente minha paz acabou. Enquanto tentava disfarçar meu descontentamento, ela colocou um cd. Amei. É como se pudesse ler, mas sei que não pode.

Minhas decisões de última hora me fazem tão feliz. Como se eu tivesse controle do que quer que seja, desse meu pequeno tempo, como se eu tivesse controle da minha vida. Não era uma pessoa impulsiva. Hoje sou até demais, pago um preço alto por isso. Mas são meus momentos felizes. É por isso que eu estou aqui, porque alguma coisa tem que fazer sentido nessa vida. Como eu, aqui, meu chocolate quente e o Coldplay.

Danielle Leal, às 17:21

eu esculacho:

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Num quarto escuro e sem mobília, ela embala um bebê. A única fresta de luz entra por um pequeno buraco na parede, mas é insuficiente pra iluminar qualquer coisa. Não existem portas, nem janelas e tudo é absolutamente silencioso. Mas a sensação de movimento entrega que não é apenas mais um cômodo vazio. Me pergunto por onde teriam entrado lá. Foi quando ela parou. Abaixou-se lentamente, sussurrando alguma coisa e desligou o bebê da tomada. Jogou-o no canto, deitou-se e dormiu.

Danielle Leal, às 16:38

eu esculacho:

Terça-feira, Dezembro 06, 2005

I'LL FUCKING MISS YOU

Whenever I'm down
I call on you my friend
A helping hand you lend
In my time of need
Whenever I'm down
I call on you my friend

Whenever I'm down
And all that's going on
It's really going on, just one of those days and ya
You say the right things, to keep me going on
To keep me going strong

Danielle Leal, às 13:58

eu esculacho:

Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

show do pearl jam: eu fui, valeu a pena, ainda paguei barato, foi lindo e inesquecível, mas sério, nojento.

.:.

a professora tem que ser muito escrota mesmo pra fazer prova oral. quero espancá-la.

.:.

tem canais só de hip hop agora aqui em casa e eu amo e to viciadíssima. aliás, saudades da dança.

.:.

estou tão feliz, não tem motivo algum. o mundo está desmoronando, eu não faço idéia de como serão meus proximos meses e tudo parece estar perdido, mas sei la... eu to tão bem e tão.... feliz! eu, feliz. ai, sério, o que fizeram comigo?!

.:.

eu fiz meu perfil no msn, vejam.

.:.

eu estou fazendo dieta. óbvio que por recomendações médicas!
(se bem que eu to um pouco gorda tbm, mas que seja...)
eu tive que diminuir e mto o açúcar e doces e eu não sei e nem consigo imaginar comidas salgadas.
alguém sente vontade de comer algo salgado?
sério, pessoas normais não comem coisas salgadas, não por vontade.



Danielle Leal, às 19:32

eu esculacho:

   

Danielle Leal. Um dia ela vai se irritar com você também. Não é que não goste de viver, é que ainda não descobriu o motivo. Escreve por passatempo, por desabafo, pra espantar os próprios medos e pecados. Não é louca, opinões contrárias não valem. Um pouco depressiva, um pouco suicida, um pouco pessimista. Extremamente exagerada, dramática e impulsiva. Vive mais no passado que no presente, não acredita no futuro. Desorganizada. Dança como se ninguém estivesse olhando. É alergica a cafeína. Sofre de insônia, enxaqueca, gastrite, dores nas costas e sincose vaso-vagal, mas vai sobreviver. O suficiente pra infernizar a tua vida. Magra de ruim, vive fazendo dietas forçadas. Não sabe o que quer da vida, não se preocupa mais com isso. Não se preocupa mais com que os outros pensam dela ou das suas atitudes escrotas e inconsequentes. Odeia canela. Ansiosa. Passa horas com a tv no mute dublando os programas. Comunista. Apaixonada por discos, livros, filmes, lojinhas do centro e filosofia. Escreve cartas quase como um vício. Não nasceu pra cumprir horários, nem pra trabalhar. Abraça todo mundo o tempo todo. Reprova frequentemente no detran. Gosta de dias frios, com sol e céu azul. Irritante, confusa, esquentadinha, preguiçosa. Não come azeitona. Não anda de carro sem cinto de segurança e portas travadas. Pinta o cabelo compulsivamente. Antisocial, porém simpática. Neurótica. Não sabe mentir. Sensível demais. Egoísta, mas não mais que você. Instável. Fala sozinha. Cheia de manias. Cheia de segredos. Depois continua, nunca termina o que começa.





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Agradecimento:
a minha querida prima Raquel, por me agüentar durante toda a sua vida hahaha e por ter feito esse blog pra anta aqui que mal consegue ligar o computador. Muitíssimo obrigada!


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